Tuesday, January 23, 2007

Poema em linha recta / Poemat w linii prostej - Fernando Pessoa



Nunca conhecí quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasito,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe —todos eles príncipes— na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o ideal, se os oiço e me falam.Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos —mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Nigdy nie poznałem kogoś, kto zostal pobity.
Wszyscy moi znajomi byli mistrzami we wszystkim.
A ja, tyle razy podły, tyle razy świnia, tyle razy zły,
Ja, tyle razy nieodpowiedzialnym parazytem,
Niewybaczalnie brudny,
A ja tyle razy nie miałem ochotę się kąpać,
Tyle razy byłem żałosny, absurdalny,
Publicznie wycierałem buty w wycieraczkach savoir vivre’u
Byłem obrzydliwy, podły, uległy i arogancki,
Byłem wyśmiewany i milczałem,
A kiedy milczałem, stałem się jeszcze bardziej żałosny;
Ja, który wydaję się komiczny dla sprzątaczek hotelowych,
Na którego widok kelnerzy puszczają oko,
Ja, straciłem honor finansowy, pożyczając pieniądze nie odpłacając,
Ja, który jak ostatecznie przyszła godzina walki, ukryłem się
Poza zasięg pięści;
Ja, który cierpię z małych, głupich rzeczy,
Odkryję ze nie mam pary na tym świecie.

Wszyscy, którzy znam i którzy ze mną rozmawiają
Nigdy nie zrobili nic głupiego, nigdy nie byli wyśmiewani,
Nigdy nie byli nic poza Książami – wszyscy Księże – w życiu...

Chciałbym słychać od kogoś jakiś ludzki głos
Przyznając się, nie do jakiegoś grzechu, lecz hańby;
Opowiadając nie przemoc, lecz tchórzostwo!

Nie, wszyscy są idealni, jak ich słyszę i mi opowiadają. Czy jest ktoś na tej wielkiej ziemi, który by mi powiedział ze był kiedyś niesprawiedliwy?
O Księcia, moi braci,

Kurde, mam dosyć półbogów!
Gdzie są ludzie na ziemi?

Tylko ja jestem niesprawiedliwy i w błędzie na tym świecie?
Kobiety może ich nie kochali,
Może ich zdradzili, – ale żałosne nigdy!
A ja byłem żałosny nie będąc zdradzony,
Jak mogę rozmawiać z moimi przełożonymi bez wahania?
Ja, tyle razy zły, dosłownie zły,
Zły w żałosnym i najgorszym sensie złości.

Tuesday, October 17, 2006

Jornal de Notícias - "Executivovulgaris"

Jornal de Notícias - "Executivovulgaris": "'Executivovulgaris'


Espécie urbana. Usam os mesmos fatos, as mesmas camisas, as mesmas gravatas, a mesma cara bem barbeada, o mesmo (mais gel menos gel) cabelo ordeiro, a mesma típica pasta na mão. São produzidos em série nas mesmas faculdades, lêem as mesmas revistas de automóveis ou de negócios, frequentam os mesmos bares, falam das mesmas coisas, têm as mesmas ambições, fedem à mesma água-de-colónia. Só pelo número do cartão de crédito se distinguem uns dos outros (por fora, já que por dentro são indiscerníveis, nos casos em que, por capricho da evolução, vêm equipados com tal inutilidade, um 'dentro'), e ainda por uma ou outra particularidade antropométrica. Há, como os carros, os de topo de gama, os de gama média e os utilitários, mas apenas especialistas capazes de distinguir um 'blazer' feito por medida de um pronto-a-vestir ou um bronzeado da Quinta do Lago de um de Albufeira ou Vilamoura conseguem catalogá-los com precisão. Nos gabinetes de trabalho podem facilmente fazer-se substituir entre si que ninguém se apercebe e, de regresso a casa, só os filhos pequenos ou, como Ulisses, o cão, dão eventualmente pela diferença. E ninguém queira estar na pele de Deus no dia do seu julgamento, pois não têm virtudes nem culpas, têm ou não defeitos de fabrico."

Wednesday, October 04, 2006

Quase Perfeito - Donna Maria

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tao certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que nao chegava a tempo de me deliciar
Quase que nao chegava a horas de te abracar
Quase que nao recebia a prenda prometida
Quase que nao devia existir tal companhia

Nao me lembras o céu nem nada que se pareca
Nao me lembras a lua nem nada que se escureca
Se um dia me sinto nua tomara que a terra estremeca
Que a minha boca na tua eu confesso nao sai da cabeca

Se um beijo é quase perfeito perdido num rio sem leito
Que dira se o tempo nos der o tempo a que temos direito
Se um dia um anjo fizer a seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser faremos o crime perfeito

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tao certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tao certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Se um beijo é quase perfeito perdido num rio sem leito
Que dira se o tempo nos der o tempo a que temos direito
Se um dia um anjo fizer a seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser faremos o crime perfeito

Sabe bem

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tao certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tao certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Thursday, July 06, 2006

todo o amor do mundo não foi suficiente - José Luís Peixoto



todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada.
ficaram só os papéis e a tristeza,
ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram
suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto,
são como lágrimas.
sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em
cada instante, cada hora,
não irei negar isso.
não irei negar nunca que te amei. nem mesmo
quando estiver deitado,
nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo
antes de a foder.
miłość całego świata nie była wystarczająca bo miłość niczemu nie służy.
pozostały tylko papiery i smutek,
pozostał tylko gniew i popiół z papierosów i śmierci.
Te niedziele i noce które spędziliśmy planując nie wystarczyły
i było ich za dużo bo dzisiaj są jak krew na twojej twarzy,
są jak łzy.
Wiem że bardzo się kochaliśmy i kiedyś, kiedy już Cię nie będę spotykał w
każdej chwilii, o każdej porze,
nie będę temu zaprzeczał.
nigdy nie będę zaprzeczał że cię kochałem. nawet wtedy,
kiedy będę leżał,
nago, na pościelach innej a ona mi będzie kazała mówić że ją kocham
zanim się z nią pokocham.

Mais uma vez obrigado Kasia ;)

Friday, March 31, 2006

Bicarbonato de Soda - Álvaro de Campos/Fernando Pessoa

Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!

Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir ...

Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,

Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconseqüência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!
Dêem-me de beber, que não tenho sede!

Monday, March 27, 2006

Segue o teu destino - Ricardo Reis/Fernando Pessoa


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Żyj swoim życiem,
Podlewaj swoje kwiaty,
Kochaj swoje róże.
Reszta to cień
Obcych drzew.

Rzeczywistość
Zawsze jest mniej lub więcej
Tym czym chcemy.
Tylko my jesteśmy zawsze
Podobni do nas samych.

Swobodne jest życie samemu.
Wielkim i szlachetnym jest zawsze
Po prostu żyć.
Zostaw ból na ołtarzach
Jako ofiarę bogom.

Patrz na życie z daleka.
Nigdy go nie wypytuj.
Ono nie może Ci
Nic powiedzieć. Odpowiedź
Jest poza bogami.

Ale spokojnie
Naśladuj Olimp
W twoim sercu.
Bogowie są bogami
Bo nie myślą nad sobą.

Obrigado Kasia pela ajuda!

Thursday, March 23, 2006

Party Weirdo - Moloko

God am I the only sane one around here,
Doesn’t anybody else find this queer,
Oh shit oh,
A wizard approaches,
A reward for the weirdo,
Party weirdo ...
Countless times you have fallen weird one,
I’m gonna ask the judge for a party crack down,
A weirdo wack down hangin out on streets in cars in bars,
Outside my window in my pool in my bed in my head,
Party weirdo ... I’m simply ask the judge ... hello hello ...
Oh but somehow someway somewhere you get back on your partied,
Out feet, hello hello, party weirdo ...
It’s just so exotic you got no where left to go, party weirdo,
You will ask yourself who am I what am I where am i,
You will answer I am no-one probably nothing,
I know that I’m nowhere you poor crass animal ok I’m new around town,
Can anybody tell me what all these party weirdos are all about,
Someone says you must go there and check out the party weirdos,
Now all I see is a lot of young people all mixed up,
It’s just not fair countless times you have fallen weird one partied out yet,
You might expect one’s weirdness to subside,
But it does not subside it sort of grows and grows and grows man,
You can just go find somewhere else to go ’cos you’re just not welcome here any more.